Macaé e suas particularidades. Aqui o shopping tem uma escada rolante virada para o lado contrário. Você chega ao cinema e precisa subir escadas normais ou ir até as costas da entrada e descobrir uma linda escada rolante. Junto com a descoberta de que ela apenas sobe...
Também na Princesinha do Atlântico todos os cartórios estão localizados no Centro, exceto um na Barra e outro no Visconde (aliás, que ninguém sabe onde fica, nem a própria página do TJRJ). Bairros antigos e importantes como Aroeira, Miramar, Parque Aeroporto, Cavaleiros / Campista, ou mesmo a região industrial do Novo Cavaleiros e São Marcos não são atendidos. Outra coisa, aqui fórum pede 15 dias para autorizar uma criança a viajar desacompanhada. Além disso, você precisa ir até o cartório autenticar os documentos, coisa que nunca vi em lugar algum. A lógica que sempre me ensinaram é que funcionário público do Judiciário tem poderes para reconhecer uma assinatura. Mas ok, fiz tudo e consegui apertar a autorização em dois dias, com muita conversa, argumentos legais (porque felizmente Deus me deu o dom da eloquência) e R$ 70 em despesas cartoriais entre abertura de firma, cópias autenticadas e reconhecimento de firmas.
Por fim, há cidade mais rica com menos opções de caixas eletrônicos no Brasil? Se sim, eu desconheço. E olha que já visitei algum município nesse brasilzão, viu, sobretudo na época em que eu rodava os céus tupiniqueins nas asas da Força Aérea pela Previdência Social.
Aqui o Banco do Brasil é um banco sujo e marginalizado. Os correntistas do BB de outros locais não acreditariam no que é a agência Centro de Macaé, tamanha a sujeira, a lotação e a desorganização. Caixas eletrônicos? Só do Bradesco em alguns postos de gasolina. 24 horas só em um posto ou dentro do shopping, que fecha às 22h e nem sempre tem dinheiro. E isso que agora os bancos Santander e Itaú também ampliaram as agências, mas sem os tais caixas eletrônicos que ajudam tanto a vida das pessoas. Por que não instalam um na Aroeira e no Parque Aeroporto, pelo menos? O do BB na Barra está com ar condicionado quebrado há pelo menos oito meses, não vê uma faxina e um pano há anos eu acho, e frequentemente só está disponível para pagamentos e saldos. A alegação do banco é a segurança. Ora ora ora, o caixa eletrônico fica em frente ao estádio-vitrine Cláudio Moacyr!
Enfim, na Sucupira onde nem espaço para denúncias temos (porque cada jornal tem rabo preso com um dos lados da política e mais uma carrada de empresários), há muito ainda que crescer, comparar e melhorar. Não se acostumem com a iniquidade, com o que não acontece nos outros lugares, só aqui. Exijam seus direitos e pratiquem seus deveres. Eu acredito numa Macaé melhor, sem pieguice.
"O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons" Martin Luther King
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quinta-feira, 7 de julho de 2011
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Uma vida 24 horas
Ok, Macaé não é mais aquela cidade pacata que conheci há pouco mais de 23 anos e para onde minha mãe se mudou levando a mim e ao meu irmão na tentativa de uma vida próspera.
De lá pra cá o crescimento não foi só no orçamento e no inchaço da máquina pública em meio a escândalos e falta de investimentos na qualidade de vida dos macaenses. Sim, há melhorias. O município viu sua vizinha, Rio das Ostras, se emancipar e se tornar um dos municípios que mais cresce anualmente; viu Quissamã sair do ostracismo e Carapebus sair do único conceito que usufruia: o de cidade mais tosca do Brasil. Viu a Serra ganhar estradas pavimentadas (tsc) e os acessos melhorados (tsc tsc). Viu a construção de um estádio moderno - ok ok, sem estacionamento e tumultuando a vida de Deus e o mundo; viu a construção do HPM, das Linhas Vermelha, Verde e Azul; viu a Praia dos Cavaleiros perder aos poucos sua faixa e areia e o mar arrebentar as calçadas e ruas cada vez com mais frequência; viu a galera se mobilizar para legalizar a área de proteção ambiental da Praia do Pecado; viu o Parque de Jurubatiba ganhar notoriedade mundial; viu a Lagoa de Imboassica agonizar e quase morrer...
Neste tempo, os rostos nas ruas mudaram. Os gringos continuam ditando as regras econômicas e os habitantes da fantasiosa "Sucupira" continuam ditando as regras políticas. Agora Macaé tem shopping. Um shopping cheio de poréns, é claro, como não poderia deixar de ser na Capital do "A gente dá um Jeito".
Nada aqui segue os padrões. O Mc Donalds não tem o rigor de atendimento e a patronização dos sanduíches das outras cidades; o Walmart não é hipermercado como nos outros lugares e mais parece um mercadão sem variedade, sujo e com péssimo atendimento; o Extra não é o Extra... nem supermercado, nem hipermercado - é bagunçado, fede, não tem quase nada e tudo absurdamente caro. Os supermercados e mercadinhos de bairro praticamente não apresentam diferença, nem de preço, nem de qualidade, nem de horário.
Apesar da possiblidade de em breve abrigar cerca de 1 milhão de habitantes, não há vestígios de uma vida 24 horas por aqui. As farmácias são as que mais se esforçam, acompanhadas das UPAs e do HPM que, em meio ao caos, ainda é o que há de melhor na cidade.
Tão triste ter tanto ouro negro no bolso de tão poucos. Mais triste é ver que esses poucos são tão matutos ou egoístas que não sabem empregar o pouco a que se dispõem investir na pobre Macaé.
E assim, as Malvinas continuam a ostentar aquele cenário deplorável; Nova Holanda só se firma no medo; e o Aeroporto continua a não ter um único terreno com escritura... Lagomar é um 'mar' de crimes de todos os tipos; o Centro e muitos bairros continuam alagando com as chuvas; a água é escassa, os mosquitos abundantes, a desiguldade mais ainda...
E de quem é a culpa? Fica a reflexão.
De lá pra cá o crescimento não foi só no orçamento e no inchaço da máquina pública em meio a escândalos e falta de investimentos na qualidade de vida dos macaenses. Sim, há melhorias. O município viu sua vizinha, Rio das Ostras, se emancipar e se tornar um dos municípios que mais cresce anualmente; viu Quissamã sair do ostracismo e Carapebus sair do único conceito que usufruia: o de cidade mais tosca do Brasil. Viu a Serra ganhar estradas pavimentadas (tsc) e os acessos melhorados (tsc tsc). Viu a construção de um estádio moderno - ok ok, sem estacionamento e tumultuando a vida de Deus e o mundo; viu a construção do HPM, das Linhas Vermelha, Verde e Azul; viu a Praia dos Cavaleiros perder aos poucos sua faixa e areia e o mar arrebentar as calçadas e ruas cada vez com mais frequência; viu a galera se mobilizar para legalizar a área de proteção ambiental da Praia do Pecado; viu o Parque de Jurubatiba ganhar notoriedade mundial; viu a Lagoa de Imboassica agonizar e quase morrer...
Neste tempo, os rostos nas ruas mudaram. Os gringos continuam ditando as regras econômicas e os habitantes da fantasiosa "Sucupira" continuam ditando as regras políticas. Agora Macaé tem shopping. Um shopping cheio de poréns, é claro, como não poderia deixar de ser na Capital do "A gente dá um Jeito".
Nada aqui segue os padrões. O Mc Donalds não tem o rigor de atendimento e a patronização dos sanduíches das outras cidades; o Walmart não é hipermercado como nos outros lugares e mais parece um mercadão sem variedade, sujo e com péssimo atendimento; o Extra não é o Extra... nem supermercado, nem hipermercado - é bagunçado, fede, não tem quase nada e tudo absurdamente caro. Os supermercados e mercadinhos de bairro praticamente não apresentam diferença, nem de preço, nem de qualidade, nem de horário.
Apesar da possiblidade de em breve abrigar cerca de 1 milhão de habitantes, não há vestígios de uma vida 24 horas por aqui. As farmácias são as que mais se esforçam, acompanhadas das UPAs e do HPM que, em meio ao caos, ainda é o que há de melhor na cidade.
Tão triste ter tanto ouro negro no bolso de tão poucos. Mais triste é ver que esses poucos são tão matutos ou egoístas que não sabem empregar o pouco a que se dispõem investir na pobre Macaé.
E assim, as Malvinas continuam a ostentar aquele cenário deplorável; Nova Holanda só se firma no medo; e o Aeroporto continua a não ter um único terreno com escritura... Lagomar é um 'mar' de crimes de todos os tipos; o Centro e muitos bairros continuam alagando com as chuvas; a água é escassa, os mosquitos abundantes, a desiguldade mais ainda...
E de quem é a culpa? Fica a reflexão.
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